quinta-feira, 9 de maio de 2013

Entrevista com a banda :Oponente de Hardcore formada em 1995.


O Oponente foi formado em meados de 1994 com a pretensão de tocar um hardcore forte e intenso muito influenciado pela NY HC, com o passar dos anos os caras começaram a introduzir aspectos de Thrash Metal,Crossovers ao seu som tornando-o ainda mais furioso ,atualmente a banda segue realizando shows pelos palco do underground brasileiro, na entrevista que realizamos com o vocalista Rodrigo que nos conta um pouco sobre a historia da banda e suas atuais novidades,confiram;

1-(MPF):Muitas bandas surgiram em meados dos anos 08 e 90 porem não prosseguiram,
vocês acreditam que se naquela época houvesse uma união maior entre a cena Punk/HC
e consequentemente tivessem ocorrido menos brigas e desavenças a realidade hoje seria outra?

(Oponente):Provavelmente sim. A cena atual está muito mais organizada, há muito mais união, a gente sente uma irmandade mais forte entre as bandas, e um suporte mais firme à cena. A infraestrutura para os shows parece melhor, as bandas parecem mais bem preparadas ou melhor equipadas. Tudo isso contribui para que a cena HC prospere e para que as bandas continuem trabalhando nesse cenário.




2-(MPF):O oponente tem muita influencia da escola NY de hardcore e também de vários outros estilos de música como vocês definem o som da banda ?

(Oponente) O som do Oponente é Hardcore. Acho que nunca vai deixar de ser HC estilo anos 90, com obvias influências do Hardcore de Nova Iorque e também do metal. As bandas que mais nos influenciam atualmente são Madball, Hatebreed, Agnostic Front, Terror, Sick of It All, além de nacionais como Paura, Sepultura (das antigas) e Ratos de Porão.
Entretanto, quando começamos em 1994, a proposta era fazer um som mesclando Hardcore e Rap, com influências principalmente de Downset, depois de Mabdall e Biohazard. O som foi evoluindo até o que se tornou hoje, com vocais gritados e um som mais agressivo.

3-(MPF):Você se mantiveram fiéis a suas origens e ao seu estilo, o mesmo não podemos dizer de
muitas bandas que surgiram com um som voltado para o hardcore e depois acabaram por se corromper e aceitarem rótulos no minimo duvidosos o que voces acham disso ?

3-(Oponente):Nós sempre fizemos o som em que acreditamos. Na verdade, nunca tivemos pretensão de ser famosos...
A cena HC é underground por natureza e nós aceitamos essa condição como parte do som que escolhemos fazer e nos mantivemos nesse mesmo estilo central. Nosso som evoluiu e variou ao longo desses 19 anos... começamos muito mais na fusão do hardcore com vocais rap, mas naturalmente fomos evoluindo e assumindo um som cada vez mais agressivo e mais HC.
Algumas bandas começaram realmente na cena HC, mas se renderam à intenção de ficarem famosos... e nessa jornada, acabaram mudando demais o som e fazendo algo mais "comercial", não tão underground e que no final tivesse um mercado mais amplo. Acho que isso depende muito do que a banda acredita e da ambição da banda... não foi nosso caso e, muito pelo contrário, nunca tivemos essa ambição de fama. Até mesmo por isso a banda nunca acabou, mas por exemplo ficamos alguns anos longe dos palcos. Só ensaiávamos e fazíamos nossas músicas, só para nós, sem tocar ao vivo ou sem pretensão de ficarmos conhecidos. Sempre tocamos para nós, porque acreditamos no som que fazemos e gostamos do que fazemos.




4-(MPF):Como voces realizam o processo de composição das musicas e arranjos ,como a maquina oponente funciona?

(Oponente):O processo de composição é dinâmico e varia muitas vezes. As bases e riffs guitarras normalmente quem compõem são o Danilo (guitarrista) ou o Buitoni (baixista). A maioria das letras quem faz sou eu (Rodrigo Oponente - vocal). A música em si pode sair encaixando as letras em riffs e depois colocando a bateria no ensaio, quando então todos participam da composição. Um exemplo de som que montamos assim foi o "Sudamericano", música-tema do último disco (disponível em www.facebook.com/OponenteHardcore).
Outra forma é quando a letra já dá uma intenção e montamos a música em cima dos estrofes da letra. Esse foi o caso de um som novo (que se chama "Te voy a parar") que acabamos de compor para o novo disco que estamos preparando. Eu (Rodrigo - vocal) já tinha uma ideia clara de como seriam as passagens de cada estrofe e o refrão, então eu e o Danilo começamos a montar as bases e fizemos a música juntos.


5-(MPF):Qual a ligação que voces tem com as demais bandas da cena,quais voces sempre conversam e trocam experiencias ?

 (Oponente):Atualmente, temos contato com o Questions, Bayside Kings, Clearview, One True Reason, Afronta, entre outras. Por exemplo, admiramos muito a forma como o Questions acreditou na cena e investiu em realizar o sonho deles de serem uma banda HC reconhecida neste cenário underground. Nós lembramos de quando o Questions estava começando, e justamente por isso admiramos a determinação com que seguiram em frente e tudo o que eles conquistaram.
Acreditamos muito na união das bandas HC e no fortalecimento da cena, no apoio entre as bandas em prol da continuidade do HC brasileiro.



6-(MPF):Quando vocês iniciaram sua carreira não existia a internet e a divulgação de shows e materiais era bem mais limitada, com o advento da internet isso mudou muito,como foi esta adaptação para vocês?

(Oponente):Que boa pergunta! Lembramos de quando tocávamos em 1995-1998... naquela época, o pico que estava rolando bastante para bandas HC era o 80 DP, num primeiro momento na Al. Tietê, e depois mudaram pra Pamplona... e a base da nossa divulgação era vender nossas demo em fita K7 (nossa primeira demo chamava Reverse e vendíamos a R$1,00 na porta do pico) e além disso, pegávamos o endereço de quem quisesse ver avisado dos shows, e mandávamos mala-direta por correio pra galera... Era um trabalho insano, o email estava só começando e a base da divulgação era o correio mesmo.
Aos poucos, a internet foi ganhando mais força... lembro que uma das primeiras páginas focadas em divulgar o som foi o myspace... e hoje em dia, tudo está nas mídias sociais... o facebook é a base da divulgação de praticamente todas as bandas. É um mundo muito mais interconectado, o que facilita muito a divulgação e o intercambio entre bandas, não só no Brasil mas no mundo inteiro. A adaptação foi meio que natural e hoje em dia tudo parece muito mais fácil. Você se conecta com as pessoas e amigos do HC, cria um evento no facebook e a divulgação é muito mais fácil.
Mas o corpo a corpo, o olho no olho nos shows e eventos HC ainda é essencial para fazer a conexão com as pessoas. Não adianta ficar só atrás do computador e achar que é amigo de todo mundo por facebook...


7-(MPF):A cena de HC esta muito ativa com bandas fortes com Oitão,ação direta na ativa a 25 anos,Santa Morte,Wrost,Paura,Presto enfim muitas bandas com um cenário efervescente desta forma se torna de certa forma até mais gratificante tocar no meio desta galera tão forte não ?

(Oponente):Com certeza. Nós começamos em 1994, mas o Oponente teve várias fases e períodos... nunca paramos de tocar, mas ficamos um bom tempo longe dos palcos e estamos voltando com tudo desde o final de 2012. Poder voltar e ver bandas que começaram quando nós já tínhamos alguns anos de estrada, como Questions, tendo alcançado um espaço extremamente respeitável na cena local e também internacional, é muito gratificante. Paura também é uma banda que respeitamos muito e admiramos, é uma banda tão antiga como o Oponente, só que se manteve sempre firme na ativa e conquistou o mundo. Ao mesmo tempo, bandas novas como Bayside Kings e outras nos inspiram a continuar e investir nossas energias em seguir em frente e apoiar a cena HC.



8-(MPF):Qual a principal fonte de inspiração na hora de escrever as letras da banda?

(Oponente):As letras tratam de vários assuntos atuais, da opressão e da exploração do povo, do trabalho infantil, às vezes de assuntos mais políticos, de problemas sociais e humanos. Então na verdade esses são os pontos que nos estimulam a escrever. As relações humanas são muito complexas e servem muitas vezes de fonte de inspiração. Mas como qualquer banda de hardcore, as letras sempre tem um tom de protesto e de indignação.


9-(MPF):Conte-nos um pouco a respeito da historia da banda e de seus integrantes como começou o Oponente e qual a ideia por trás deste nome ?

(Oponente):A ideia de formar uma banda hardcore foi na época do Danilo (guitarra), que em 1994 estava inspirado por bandas como Downset, que misturavam Hardcore com Rap. Ele começou a fazer uns sons com alguns amigos, enquanto eu (Rodrigo) tocava guitarra numa outra banda... comecei a frequentar os ensaios do Oponente e pirar no som... e aos poucos comecei a me arriscar nos vocais. Entrei efetivamente na banda em 1995. Depois entrou o Felipe mais ou menos na mesma época, e por fim o Buitoni que entrou em 1997. Desde então, a banda continua com esses integrantes. Recentemente, estamos tocando com mais uma guitarra, um amigo de longa data, Fernando, que foi baixista e vocalista de uma banda de Death Metal (Hell Knights) por volta de 1995.
O nome Oponente significa oposição, opor-se às coisas com as quais não concordamos. Escolhemos Oponente porque define bem nossa proposta como banda de hardcore, opor-se aos problemas, opiniões equivocadas, injustiças.



10-(MPF):Deixe uma mensagem para a galera que curte o som de voces e para quem ainda não conhece vocês ?

(MPF):Queremos agradecer a todos que curtem hardcore e suportam a cena. Todos aqueles que curtem nosso som também; e para os que não conhecem ainda, sugerimos que escutem nosso som em www.facebook.com/OponenteHardcore ou em www.reverbnation.com/Oponente. Esperamos que curtam!!!

Queremos também agradecer pela oportunidade da entrevista e reafirmar que Hardcore Still Lives!!!



Formação:

Rodrigo (vocals)
Danilo (guitar)
Buitoni (bass)
Felipe (drums)

Links Relacionados :

www.myspace.com/oponente

www.twitter.com/oponenteHC

www.reverbnation.com/oponente

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